Crônica

Alguns peixes têm uma característica extremamente interessante: são capazes de crescer de acordo com o tamanho do ambiente em que vivem. Assim, se estão num pequeno aquário, medem alguns poucos centímetros, enquanto que, se estiverem numa represa ou num lago, podem medir duas, três, quatro vezes mais.
Seguindo este mesmo comportamento, algumas árvores, quando plantadas em pequenos vasos, não crescem muito, ficam limitadas no tamanho. Ao passo que aquelas plantadas onde o espaço e a quantidade de terra são abundantes, tornam-se robustas e com frondosas copas verdejantes.
O ser humano, como parte da natureza, também tende a crescer de acordo com o ambiente em que vive. Não me refiro, tão somente, ao crescimento físico, mas sim às peculiaridades que o diferencia de todos os outros seres viventes. Por aí perpassa o desenvolvimento intelectual, emocional e espiritual.
Os peixes, bem como as árvores, são obrigados a aceitarem as limitações de seus próprios mundos. E se assim não fosse, não resistiriam. Ou seja, o fazem para o próprio bem deles. Ao homem, no entanto, foi dada uma grande liberdade de estabelecer a fronteira dos seus sonhos e os limites do seu mundo.
Desta forma, se somos um peixe maior que o aquário em que fomos criados ou se, porventura, somos uma árvore maior que o vaso em que fomos plantados, em vez de limitarmos nosso crescimento e nos adaptarmos a eles, deveríamos repensar nosso estado. Ainda que a adaptação inicial fosse melindrosa, desconfortável e até mesmo dolorosa, talvez fosse interessante buscarmos o oceano ou, quem sabe, uma pastagem verdinha do tamanho do horizonte.
Ismael AlexandrinoAo som de 'É preciso saber viver' - Titãs
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Imagem:'Campos de Canola' - Joice