Café Alexandrino - O lado aromático da vida

quinta-feira, 8 de março de 2007

Dia dos amores | Homenagem às mulheres

Poesia


No dia d`A mulher
Queria estar ao seu lado,
Ter seus olhos nos meus,
No seu colo deitado.

No dia d´A mulher
Queria que ela estivesse aqui,
Pois sei que ela bem-me-quer
Como nunca mereci.

Queria conceder-lhe algo.
Nada de ouro, riqueza,
Ou coisas típicas de um fidalgo.

A dois amores, particularmente,
Eu externo toda devoção:
Um -- puro e angelicalmente --
Trouxe-me até aqui,
O outro –- com paixão –-
Que me leve daqui.

Ismael Alexandrino

Dedico à minha mamãe e ao meu amor.


Ao som de 'Como é grande o meu amor por você' - Oswaldo Montenegro
Degustando Capuccino de Chocolate com Chantilly de Menta
Imagem:'Meus amores' - Ismael Alexandrino




Discurso

Já me disseram que falo muito em mulher, que a tenho como temática em minhas poesias. Equivocaram-se. Todos. Eu não somente falo em mulher, eu a vivo em cada poro, em cada suspiro. Posso senti-la tanto telepaticamente, quanto a menos de um milímetro de mim. Não raro, gosto de acariciá-la com as mãos e com o olhar.

A delicadeza deste ser ímpar, seu olhar que a todo tempo pede proteção, cuidado, é de uma singeleza contagiante. Seu deambular com galanteio é o mais puro ferormônio que invade cada espaço de minhas narinas; sinto seu cheiro em cada passo leve, solto, elegantemente trocado.

A contradição que lhe é peculiar, o choro fácil e sem motivo, o nervosismo em momentos de tensão, tudo isso me inspira, me comove.

Houve tempos que pensei que precisaria do amor de todas para bem viver. Enganei-me. Não mais penso, pois a certeza já se faz presente e toma conta das minhas convicções. Não pensem, contudo, que saio por aí com todas. Enganam-se. Mal me interpretam. Saio apenas com uma, que amo de uma forma diferente, a ponto de querer viver ao seu lado para sempre. Mas não deixo de amar nenhuma que passa próximo de mim. Amo-as sim, todas. Amo-as a tal ponto de torcer, sinceramente, que encontrem suas almas gêmeas e que estas as valorizem como convém, que lhes dê carinho, proteção, cuidado, que lhes seja fiel, companheiro, cúmplice, leal e, sobretudo, saiba admirá-la na sua essência cheia de percalços e idiossincrasias, mas de alma tão nobre e delicada que beira o divino.

Ismael Alexandrino

Dedico a todas as mulheres da face da Terra, as que já vieram e as que ainda virão.


Ao som de 'Amor sem limites' - Roberto Carlos
Degustando Trufas de Uva
Imagem:'Rosa' - Joice

quarta-feira, 7 de março de 2007

Odeio acordar cedo

Curtas

Certa vez, justificando porque não gostava de acordar cedo, Chico Buarque disse que era porque fazia samba e amor até mais tarde e, por isso, tinha muito sono pela manhã.

Lembrei de Chico ao justificar porque odeio tanto acordar cedo, ou melhor, levantar cedo: porque faço poesia e amor até mais tarde e tenho muito sono pela manhã. Além disso, minha cama tem um velcro que sempre me abraça quando nasce o dia e o sol aparece na janela.

Ismael Alexandrino


Degustando Suco de Laranja

terça-feira, 6 de março de 2007

Jogador de futebol

Entrevista


Elvis, qual a sua expectativa para este jogo domingo à tarde no Maracanã?
– É, a gente vai jogar lá domingo, estou com uma grande expectativa.

Foi dito nos jornais durante a semana que o seu sonho era jogar no maior estádio do Brasil. O que você pensa em fazer de diferente assim que entrar em campo?
– É, a expectativa é muito grande de entrar em campo. Minha maior vontade é entrar naquele gramado e, assim que pisar nele, fazer o sinal da cruz. Será pra mim uma emoção muito emocionante.

Jogar contra o Flamengo, no Maracanã, é o sonho da maioria dos jogadores em início de carreira?
– É, o Framengo é um grande clube, uma equipe das ponta, sempre arrasta grandes populações para o estádio, eu sonho um dia poder jogar lá.

Você arriscaria um placar para este jogo?
– É, não arrisco não, a gente precisa manter a humildade com a cabeça erguida e entrar pra ganhar, independente de resultado, a gente quer ganhar.

Muitos ídolos do futebol brasileiro e mundial jogaram no Flamengo. Tem algum em quem você se espelha?
– É, tem muitos ídolos, o Romário é meu ídolo. Também vou tentar fazer 1000 gols, mas não só nesse jogo, claro.

Quando você vê aquela grama verdinha do Maracanã, não dá vontade de comer não?
– É, não, não...não dá não. Você está me chamando de comilão, é? (risos)

Elvis, para encerrar, qual o seu recado para o torcedor no domingo?
– É, eu tenho um recado importante pro torcedor: Pai, não esqueça de trazer, amanhã, aquele cartaz que a mãe fez pra mim entrar em campo segurando ele escrito "Galvão, filma eu; tô na GROBO".
Também queria que todos forem ao estádio não façam tumulti, que vai todos excrusivamente para ver o espetáculo, sem brigas, que possam haver paz nos estádios de futebol e no mundo.

Obrigado, Elvis. Tenha um bom jogo.
– Odinada, valeu...um abraço.

Ismael Alexandrino


Ao som de 'É uma partida de futebol' - Skank
Degustando Isotônico de Uva
Imagem:'Pé descalço' - Antônio Azevedo

segunda-feira, 5 de março de 2007

Sistemas no Brasil

Curtas

No Brasil, capitalismo é quando todo mundo dá tudo para o Estado e o Estado não dá nada para ninguém. Socialismo é quando o Estado dá tudo para o PT.

Fábio Danesi Rossi
(do fdr)

Degustando Café Preto

Tempo para tudo

Crônica

Certa vez, ouvi Ronaldo Lindório, doutor em antropologia, contar uma experiência que passara há alguns anos.

Ele estava na África por uma causa bastante nobre: fora incumbido de mapear uma região com intenção de ter acesso a uma tribo indígena. Levava consigo seu ideal e a informação de que se tratava de uma tribo bastante hostil. Aos olhos de muitos, uma aventura desnecessária.

Foi levado ao encontro de dois senhores que lhe serviria de guia. Na busca de maiores informações sobre a tribo, descobriu-se apenas que ela ficava na margem de um dado rio. Há de se convir que não fora uma informação muito precisa, mesmo porque é comum qualquer povo se estabelecer próximo de leitos d'água e, também, tratava-se de um rio bastante longo. Portanto, a informação obtida não ajudara muito.

Amanhecendo, Ronaldo e os dois guias, colocaram as botas, as malas nas costas e embrenharam savana a dentro. Andaram o dia todo e nada de encontrar aquele povo. Não por acaso, no ocaso decidiram parar e descer as mochilas. Ali dormiriam. Andar à noite onde não se conhece não seria uma atitude cônscia. Noite escura e fria, só se ouvia barulho de bichos e nada mais.

Antes do arrebol, levantaram e seguiram viajem. Sol a pino, andaram quase o dia todo, até que encontraram uma maloca. Mas não era a que estavam procurando. A exaustão já tomava conta daqueles homens. Sem condições de seguir viajem devido ao desgaste físico, os dois guias disseram a Ronaldo que não seguiria com ele além dali, pois estavam impossibilitados. Ali dormiram e o jovem, animado por demais, disse que seguiria a viagem, mesmo só.

Botas calçadas, mochila nas costas, rompeu-se o crepúsculo matutino. Região de planície, mesmo com sol ardente, estava totalmente alagada por ser época de chuva. Andava com água acima dos joelhos sempre, às vezes desequilibrando pelo peso da bagagem. O dia foi terminando e o jovem rapaz começou pensar onde dormiria. Afinal, numa savana totalmente alagada ficava difícil. Tinham as árvores, mas as cobras gostam de nelas ficar para dormirem. Como na região tinham muitas, não queria arriscar a concorrência por um galho. Andando mais um pouco, Ronaldo viu uma pedra acima um pouquinho acima da água. Aquela seria sua cama naquela noite. Estendeu a toalha e deitou em cima da pedra. Noite escura, fria, só ouvia-se o barulho de bichos e nada mais.

Até que, não bastasse, começou a chover forte durante a madrugada. Aquilo, literalmente, foi a gota d'água. No meio de um pântano escuro, cheio de bichos, frio, debaixo de chuva, com fome, extremamente debilitado fisicamente, sem forças para prosseguir, Ronaldo pensou o que estar fazendo ali. Talvez fosse loucura da sua cabeça. Afinal, podia muito bem estar em casa, quentinho, de barriga cheia. Coisa que um doutor em antropologia, que já havia recebido vários convites apra ensinar nas melhores universidades sobre o assunto, poderia usufruir plenamente.

Breve momentos de reflexão e...ele não iria voltar dali. Já tinha caminhado muito rumo ao seu objetivo para desistir. Com uma força divina, seguiria caminho ao amanhecer. Dia claro, cessada a chuva, botas calçadas, carga nas costas, e então, salta-se da pedra pântano a dentro. Caminhados não mais que trinta minutos, viu algumas garças ao longe levantarem vôo. Alguma coisa havia feito com que elas voassem. Aproximou. Era, sim, a procurada tribo.

Ali fez todo seu trabalho projetado e, de fato, realizou-se. Contudo, não desistiu. Simplesmente, acreditou no seu ideal, lutou pelo seu objetivo e, confiando que algo divino poderia lhe sustentar, soube esperar seu tempo.

Diante disso, consigo olhar para o horizonte e, mesmo que, às vezes, escuro, nebuloso, distante, arredio, seguir o caminho. Mesmo que, às vezes, pensando desanimar, cansado de caminhar, cansado de sofrer, de chorar, de desilusões, o tempo haverá de chegar. Quem preconizou isso é O mesmo que colocou o ideal no coração daquele antropólogo, que lhe permitiu os dias cansativos, que permitiu a chuva num momento de angústia. Mas também é O mesmo que fez secar a chuva, que fez clarear o dia, que lhe suscitou novo ânimo. E, por mais que intempéries aconteçam, ELE é O dono do tempo e só ele faz as garças alçarem vôo.

Ismael Alexandrino


Ao som de 'Paciência' - Elisa Queiroga
Degustando Leite Achocolatado
Imagem:'Garça' - Ivo Mota

sexta-feira, 2 de março de 2007

O porco do brasileiro

Crônica

O Brasil é um país sujo. Não raro, também é fétido. Não me refiro à sujeira de caráter dos gestores e governantes, muito menos à corrupção política impregnada na corja eleita e tida – por eles e pelo povo – como normal, natural, já esperada. Refiro-me à sujeira física, fácil de ser detectada aos olhos de quem vê e ao nariz de quem cheira. É sujo, tão somente, porque tem lixo onde não era para ter. E isso acontece, basicamente, porque o brasileiro tem um peculiar espírito suíno, é muito mal-educado e tem péssimos hábitos.

Semana passada, eu caminhava pela calçada no bairro de Boa Viagem, onde moro em Recife, e quase fui alvejado na cabeça por uma lata de cerveja. Um "distinto" cidadão (sem noção dos deveres de um) dirigindo uma camioneta Grand Cherokee abriu o vidro do seu blindado e, simplesmente, jogou a latinha na calçada. Pelas silhuetas dentro do carro, percebia-se que ele estava com a sua família ou, talvez, a família da amante. O fato é que tinha pelo menos duas crianças dentro do carro vendo aquela cena, aprendendo, na prática, a lição de como ser porco.

Canso de ver cenas como a descrita todo santo dia, de segunda a domingo. Quando as vejo, dá uma imensa vontade de sair correndo atrás de quem fez isso, pegar a latinha e enfiar goela abaixo. Isso, porque sou altamente pacífico. Se eu não fosse, eu corria e enfiava. No entanto, apenas fico na imensa vontade... e no lamento de saber que verei tais cenas repetidas vezes por dia todos os dias. Limpei meus pés do que espirrou em mim, abaixei, peguei a lata e a joguei na cesta de lixo.

O engraçado é que esses mesmos "cidadãos" se acham no direito de reclamar dos governantes pela péssima drenagem da cidade, em que basta uma chuva de cinco minutos para todas as ruas estarem alagadas. Claro! Pois os esgotos estão todos entupidos de latinhas de cerveja, papéis de balinha, copos descartáveis, extratos bancários, bandeirolas, canudinhos, folders de supermercado, cartazes de propaganda, santinhos de políticos, máscaras de fantasias de idiotas.

E no quesito "porcaria de brasileiro" não há distinção de classes. Todas desempenham muito bem. Os ricos jogando restos de bebidas, embalagens de mp3, baterias de celular. Os pobres deixando suas montanhas de estrumes na praia, atrás das árvores, e o peculiar cheiro de urina nas muretas da cidade. E os filhos crescem aprendendo muito bem a lição de como viver sem ver a sujeira ao redor, nem sentir o cheiro dos seus dejetos diários. Cada qual com a sua respectiva renda e embalagem.

Um ensinamento que corrigisse esse mau hábito deveria começar em casa – a famosa educação de berço. Também seria interessante, talvez, estender o ensino nas escolas, promovendo aulas educativas sobre o tema, estimulando os alunos a lerem sobre como aproveitar aquilo que descartamos. Se bem que não seria fácil ter aderência na prática da leitura. Afinal, o exemplo que se tem do representante máximo da nação tupiniquim é a célebre frase "é muito chato ter que ler". Chato é ter um presidente pós-graduado em MOBRAL.

Sempre que me propuseram algo muito grandioso e com soluções mágicas, hesitei. Não que eu não pense grande, não é isso. Ao contrário, sempre me disseram que sonho alto demais, que beiro a utopia. Sonhador eu sou mesmo, admito. Sempre fui. Utópico não. Excetuando os milagres – em que acredito –, sou mais afeiçoado às coisas possíveis de realização no dia-a-dia, individualmente. Não sou daqueles que para aderir a alguma causa precisa haver panelaço, agitação e o povão reunido com bandeiras e gritaria.

Sendo assim, o que proponho é algo bem simples: jogue lixo no lixo, seu porco!

Ismael Alexandrino


Ao som de 'Alagados' - Paralamas do sucesso
Degustando Chá de Camomila
Imagem:'Lixo' - Suellen Maciel

quinta-feira, 1 de março de 2007

Rotina

Poesia


Amar cansa.
Mas prefiro
Ser cansado
Digno
A descansado
Desamado
Indigno
Dela.

Ismael Alexandrino


Ao som de 'Segredo' - joão Gilberto
Degustando Morango com Creme de Leite
Imagem:'Girando' - José Araújo