Café Alexandrino - O lado aromático da vida

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Sobre a inteligência

Curta

Estou convencido de que inteligência é afrodisíaco.

Ismael Alexandrino


Ao som de 'Fast car' - Tracy Chapman
Degustando Suco de Limão

terça-feira, 17 de junho de 2008

Há Um Refúgio

Artigo


Quando o rosto enrubescer, e a vergonha tornar a expectativa em frustração. Há um refúgio para se refazer. Quando o olhar se perder na imensidão da noite tentando contar as estrelas faiscantes. Há um refúgio seguro como um porto para se ancorar no inverno. Quando as lágrimas se secarem nas faces tristes que abraçaram a solidão. Há um refúgio para oferecer o afago que consola. Quando todas as esperanças desvanecerem, pedindo o golpe de misericórdia que põe fim ao sofrimento. Há um refúgio que renova as forças e torna os punhos fortes para lutar.

O refúgio não é secreto e nem fica distante. Basta abrir e fechar após si uma porta. Porta que aberta chama para a luz, e que fechada abre as cortinas da paz como um sol brilhante depois de uma manhã chuvosa e fria. A paz que aquece sem queimar. Nesse lugar todos os sons se calam, pois é tempo de orar.

O segredo não está nas mãos postas ou nos joelhos dobrados. Está no coração quebrantado que se deixa derramar diante do Pai que vê no secreto e enxerga no meio da escuridão. Diante de quem nada fica de pé. Diante quem tudo se encurva para adorar. Diante de quem se deve retirar as sandálias dos pés.

Ele vem com o seu olhar e seu abraço. Sua luz dissipa toda escuridão, até mesmo a escuridão do coração. Diante daquele que se ajoelhou ele exercita sua majestade diferente e aceita a dura confissão. Ah! Quem pode medir o seu amor! Quem pode descrever o seu calor! Quem ficará de pé diante do Filho do Homem!

Então a escuridão revelará o brilho oculto da sua luz que ele só revela a quem quiser revelar. Incontrolável poder que arrasa o pecado e que destrói todas as fortalezas da alma que aflita se rende. Ah! Eu vou morrer se ele não me salvar! Estou perdido! Caído diante de uma presença santa, bela, insondável e indescritível. Estou totalmente em suas mãos. Que bom que é assim, pois ele é a própria bondade, a justiça que não erra; o perdão que não acaba. O pastor que toma a ovelha perdida nos seus braços e a carrega para casa, a sua casa.

No silêncio e do silêncio ouço a sua voz. Escrita nas palavras do livro sagrado. Escrita nos meus ouvidos e na minha memória. A sua presença percorre livremente os caminhos secretos de minha alma. Ele me busca e me encontra e eu me rendo e me deixo levar. Ele me conduz ao rio e me dá de beber. Lava meus machucados e cuida de mim sem eu merecer.

Depois ele fica por ali, olhando para mim. Olhando com amor, sem parar, sem mudar a direção do olhar. Ele pára e me escuta. Nada diz, mas o seu silêncio fala tudo! Não vai embora, mas não me condena. Não me deixa, mas me liberta. Eu fico confuso e o amo. Eu não entendo, mas retribuo. Nada pergunto, mas a tudo entendo, pois ele responde e fala no meu coração. Dentro de mim. E eu me lembro das palavras escritas no livro que eu li e que foram guardadas na mais profunda gruta de minha memória. Elas ressoam com o vento. Elas me saciam com a água do rio que corre sem parar e que vai para um imenso mar azul que se abre numa enseada cercada de montanhas e árvores coloridas de um outono calmo, sereno e tranqüilo no entardecer.

Hélio de Oliveira Silva¹


Ao som de 'The mass' - Era
Degustando Suco de Laranja
Imagem:'Por onde andei' - Ismael Alexandrino


¹Hélio de Oliveira Silva é pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia-GO.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Sobre a emoção

Curtas

Quando há muita emoção, o coração se cala, e os olhos dizem o que a alma sente.

Ismael Alexandrino


Ao som de 'Tocando em frente' - Almir Sater
Degustando Pão de Queijo com Coca-Cola

sábado, 7 de junho de 2008

Hora herética

Poesia


Dotada de meiguice e sordidez
Fitavam-me diamantes sedutores
Da abóboda ao sótão de minh'alma
Templo gótico que me tornei.

Sacrossanto cálice rosso
De corpo sedutor, liso-aveludado
Convertia-me cada vez mais ao gótico,
Culminava erótico
Em ogivas pontiagudas.

Imoral.
Valentina era imoral.
Amoral, para falar a verdade.
Mas apaixonante!
Um animal de trejeitos sutis.

Ferormônios excêntricos,
Transpirava almíscar
Expirava almíscar
Era almíscar.

Almisracada, seduzia-me.
Mascarada, enganava-me.

Seduzido e apaixonado,
Jurei-lhe amor eterno(ou quase!).

Enganado e ressentido,
Ocultei-lhe versos ternos(ou quase!).

Ismael Alexandrino


Ao som de 'Caminhos cruzados' - João Gilberto
Degustando Vino Rosso
Imagem: 'Taça de vinho' - Elisandro Dalcin

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Escolhas

Reflexão

À medida que o tempo vai passando, a idade chegando... percebemos que o tempo é aliado, deste modo não pode ser desperdiçado. A sabedoria está nas escolhas...

1. Escolhi visitar sempre meus pais, porque não neste mundo ninguém que me ame mais do que eles. Preciso aproveitar este amor e retribuir.
2. Escolhi não esperar o elevador – cara, odeio ficar olhando para o nada!
3. Escolhi não atender o telemarketing. Gasto o tempo deles e o meu!
4. Escolhi dirigir com calma, mesmo quando estiver atrasada. Pode chegar tarde, mas chegarei mais feliz...
5. Escolhi fazer o que realmente gosto, mas quando for inevitável, tentar aproveitar mesmo quando estou fazendo algo que odeio;
6. Escolhi ser “otária”, ser honesta: não vou ganhar todas, não vou conseguir tudo, mas quando conseguir, não preciso ter medo de perder, porque sei que sou capaz de fazer de novo;
7. Escolhi aceitar elogios;
8. Escolhi filtrar queixas, reclamações e críticas;
9. Escolhi, em alguns momentos ser cega, surda, muda e paralítica:

i. Tem coisas que a gente não precisa ver;
ii. Tem coisas que a gente não precisa ouvir;
iii. Coisas que a gente não deve falar;
iv. E outras, pelas quais, você não deve se mexer.

10. Escolhi o conhecimento, o aprendizado – sem pressa, sem fome, com constância!
11. Escolhi não sair do banho porque o telefone está tocando!
12. Escolhi não atender a porta de toalha;
13. Escolhi fazer da internet lazer e não vício. Se sair do ar... Não vou ter crise de abstinência!
14. Escolhi não me deixar dominar pelo bliiig do msn. Só falo no meu tempo.
15. Escolhi rir, rir muito, rir sempre – mas se não rolar, não vou ter vergonha de chorar, chorar até cansar, até sentir que meus olhos estão com jeito de personagem de desenho animado, e minha alma desidratada!
16. Escolhi ser mãe: eternizar o tempo e a falta dele. Essa é a única verdade absoluta deste texto!

E por fim, escolhi este tema, porque não houve jeito de pensar em nada melhor!!!

Gláucia Taricano


Ao som de 'Aquele abraço' - João Gilberto
Degustando Suco de Laranja
Imagem: 'Caminhos' - Rafael Pires

terça-feira, 13 de maio de 2008

Gláucia Taricano no Café Alexandrino

Apresentação
Queridos amigos e leitores,

É com muita alegria que mantenho este blog. E é com mais alegria ainda que agrego pessoas queridas, textos dos quais gosto, gente que escreve e que admiro por algum motivo especial.

Neste sentido, tenho prazer enorme em informá-los que a Gláucia Taricano escreverá neste blog toda 2ª e 4ª quintas-feiras do mês. Ou seja, na segunda e na quarta semana do mês sempre será possível lê-la por aqui. Excepcionalmente nesta semana, por motivos de desencontro maior, seu texto será publicado não na segunda e na quarta semanas, mas sim na terceira e quarta semanas. Se houver novos desencontros, peço ao estimado leitor que não fique raivoso ou triste conosco, afinal, a vida, se for rígida por demais, perde o seu lado aromático.

Gláucia e eu blogamos desde 2002/2003, quando a blogosfera ainda engatinhava no Brasil. Ela, sempre com um humor implacável, com o seu "Mãe 24h" contagiando multidões. Jornalista e mãe, amante de esportes (principalmente Tênis), é um equilibrista das cotidianeidades, uma artista do bem-viver. Falar dessa carioca de corpo e alma é muito fácil e muito difícil. Fácil porque quaisquer adjetivos positivos que se pensar ela tem. Difícil, no entanto, encontrá-los em número suficiente para fazer jus à sua pessoa.

Estou certo de que vocês, queridos leitores, assim como eu, ganharão e muito com a presença da Gláu no Café Alexandrino. Ela conhece muito bem "o lado aromático da vida"!

Glaucinha, obrigado de coração por aceitar o convite! A casa é sua, e, nela, você é livre, assim como seu espírito o é.

Queridos leitores, eis: Gláucia Taricano na sua forma mais original e inusitada de ser!

Um abração a todos!

Com alegria,
Ismael



sexta-feira, 9 de maio de 2008

Colunas

Poesia
menina-moça,
tens dons infindos
– até os anjos sabem.
mas um dos que mais gosto
é essa ligeireza que tens
em me fazer brotar, de súbito,
pingos em minha face petrificada
pela distância-tempo em que fui construído.

somos estalactites e estalagmites
nascidas em tempos remotos
e que hoje, consolidadas, tocam-se
formando esculturas irretocáveis.
habitamos cavernas de sonhos
mergulhamos em mares profundos
– quase virgens – escondidos dos olhos
das multidões atrozes por nos consumir.

és meu paraíso oculto.
não sei o que sou para ti, no entanto.
mas sei, moça-menina,
que sem mim te tornarias perdida
(desabaria!)
e sem ti dificilmente eu existiria
de pé.

Ismael Alexandrino, Bari


Ao som de 'É isso aí' - Ana Carolina & Seu Jorge
Degustando Água gasada com limão
Imagem: 'Estalactites' - Tai KS