Poesia
Ó dor! O que tu queres,podes bem me falar?
Tira meu sono, silencia o meu cantar,
Desfaz os sonhos, põe pedras para escalar
Calas minha boca, fazes-me suspirar.
Deixa de ser lacônica!
Criança má, hedônica
Pára de gritar, sinfônica
Voz aguda, grave, harmônica
Ó dor! O que tu queres,
podes bem me mostrar?
Imputa-me o tédio, faz da angústia doença
Sem remédio, descrença
Me joga no abismo, não pensa.
Deixa de ser vil!
Imatura, infantil
Pára de gesticular, pueril
Obscena, teatróloga feminil
Ó dor! Por que não cresces a ponto de me matar?
Afugentas meu semblante, tolhes meu sorriso
Auguras meus planos, futuro que preciso
Enegreces meus olhos, obscureces o paraíso
Deixa de ser mesquinha!
Cobra criada, abelha rainha
Pára de cutucar, largue sua varinha
Mata-me ou me deixa, mas não me definha
Ismael Alexandrino
Degustando Café Preto Amargo
Imagem: 'Banco' - Elvis Melnisk 





