Café Alexandrino - O lado aromático da vida

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sexta-feira, 11 de março de 2016

Chuvinha

Pingo
Pingo
Pingo

Es-corre, corre, corre...

E vai lavando
A alma
Da terra vermelha
De chorar

Es-corre, corre, corre...

Chuá!

Abre a cratera
- veios, veias -
Circulação pluvial...
Endovial!

Mina d'água
Rego d'água

Es-corre, corre, corre...

Levando para longe
A poeira no semblante
A solidão pensante
E o gosto de sal.

Ismael Alexandrino

Ao som de sapos e gias
Degustando Negresco

domingo, 3 de janeiro de 2016

DAI-me hoje

Lembro do Rubem
Da pipa
Da flor.

Da liberdade
Que apreende.

Faz bem
(Suspiros!)
Sem dor.

O que me encanta,
Menina,
-- apesar dos cabelos --,
Da pele,
Do dedinho torto,
Das belas mãos...

Não é a beleza.

São os olhos.

Ismael Alexandrino

Ao som de Sabiás
Degustando Ameixas Geladas

domingo, 29 de novembro de 2015

Velho

Outrora broto
Folha verde
Caule roto

Foices ignorantes
Enxadas intuitivas
Canivetes afiados
Brocas (alta e baixa rotação)

Chuva fina
Terra molhada
Raiz profunda

Ventos fortes
Terra seca
Casca grossa

Fogo
Cascalho
Sol
E poeira.

Intempérie!

Desde novo,
Provações.
Ainda assim,
Canções.

Rompeu
Cresceu
Permaneceu

E morreu...
Ou quase.

Ismael Alexandrino

Ao som de 'Meu velho pai - Leo Canhoto e Robertinho'
Degustando bagos de jaca mole