Café Alexandrino - O lado aromático da vida

domingo, 18 de junho de 2017

Transliteração

Transliteração

Meu velho pai...
Antes, tu eras prosa.
Hoje, em silêncio,
Poesia.

Ismael Alexandrino

Ao som de 'Quando a saudade dói' - Daniel
Degustando Arroz com Tomate

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Pensando aqui...



Ismael me pediu um texto pro blog dele...


          "Viver e não ter a vergonha de ser feliz..."
Palavras tão fortes: VIVER, VERGONHA, FELIZ; E o que esperar delas? A resposta encontrará aqui. Hoje começo falando um pouco de mim.

          Na vida, independente de sua fase, fazemos escolhas. Sim, a vida é feita de escolhas, constantemente!

           Uma das minhas foi casar-me com uma luz, uma mulher de alma ímpar, que me trouxe muita alegria, companheirismo, energia, admiração e o maior presente que um homem pode ganhar: um filho! Nossa, quanta gratidão a ela, a Deus, à vida.

           Uma outra escolha que fiz na vida foi a de ser médico. Com uma proposta altruísta, cheio energia, de sonhos, de idéias, de desejos...

             Mas, assim como a vida, o casamento, a medicina e outras escolhas que fazemos, não são um filme Hollywoodiano: podem ser duros, pesados, corridos, sofridos, exigentes, mas sempre RECOMPENSADORES. Mas só o tempo te mostrará isso.

           Esse TEMPO é como o VIVER: é um evento único, mas é forte, infalível em sua missão, contínuo, perene, que molda, que derruba, que levanta, que dissipa, que apaga, que escreve, que passa mas que também fica. Loucura esse tal tempo, esse tal viver!

        Sim ele é forte porque ninguém o segura, quer tentar para-lo? É perene, pois ele nunca some, está aí, sempre do seu lado. Ele molda, porque vemos a pedra bruta ficar lisa, mostrar-se polida. Ele derruba para dar espaço a mais vida, para que algo novo germine, cresça e dê a cara da sua beleza sobre aquele pedacinho antes apático. Ele levanta porque é da poeira que se edifica!

         E esse mesmo tempo, com essas mesmas características moldou o meu ser, o meu viver. Foi e será ele o meu grande companheiro e desafiador nessa jornada terrena. Com ele estou aprendendo a ser forte, corajoso, ser mais eu, sem VERGONHA, sem vergonha de ser feliz. Não que eu não fraqueje às vezes. Por vezes a bateria do relógio acaba. Opa! Mas o tempo não para!

          Pois é, por alguns instantes o relógio parou essa semana pra mim, mas o tempo é soberano e infalível, ele segue... Depois o relógio que se ajuste ou que o ajustem.

            Interromper aquilo que Deus criou, a VIDA, é incompreensível! - Concordo! A questão é que num momento de tristeza, de desespero, cada um pede ajuda do seu modo, que vai do olhar ao gritar! O meu foi bem sutil, sublime, diria, fatalmente, insuficiente! Sempre aprendemos!

             Mas fica sempre a curiosidade alheia da motivação: seria suficiente? Para quem está sofrendo sempre é, pergunte nos momentos mais desesperadores e a resposta será: Sim! Mas para quem os cerca é incompreensível e inadmissível! E claro que é incompreensível mesmo, entendo bem.

Já estive do lado de fora também, na ocasião da perda de um grande amigo que partiu desse plano sem ao menos um adeus, como doeu. Hoje desejo que Deus, a Luz, a Energia Maior, o receba, o acolha, o acalente e lhe ensine. Tudo ficou muito incompreendido: o porquê  desistir de viver, o porquê de não pedir ou gritar por ajuda, o porquê deixar todos em sofrimento, o porquê, o mas porque. Bem, perguntas que jamais serão respondidas!

Mas voltando a minha semana, a minha motivação... Sim, teve uma motivação: foi sentir-me oco e vazio, foi ser alvo da desvalorização do EU, como Homem, foi sentir-me solto numa selva, com medo, inseguro, foi a soma do sofrimento prévio de uma separação (intensa e recente), a soma do medo, da perda, do abandono, da insolvabilidade, da instabilidade psíquica, de uma momentânea experiência humana vazia, oca, mas para mim impactante, pois as relações humanas pareciam banalizadas.

               Estes motivos "aparentemente" fúteis e banais (perante o VIVER) foram a minha motivação para concluir que a VIDA havia perdido a razão. Hummm razão, eu buscando razão num contexto de extrema emoção/frustração. Louco isso! (Apenas uma auto reflexão em voz alta).

Pois é, eu, mais uma vez, enganadíssimo.

Quem seria eu a julgar as construções e relações de terceiros. Porque questionar aquele modelo? Apenas por não me enquadrar nele? Julgar sem conhecer o contexto daquela construção, sem saber quais os alicerces e o quão fortes eram? Julgar por não querer, simplesmente, dividir daquela experiência, daquele momento? Julgar por querer eu o meu modelo? Erro fatal!

Não importa se certo ou errados, estavam felizes naquela construção e pronto. E nada mais justo que cada um busque a sua felicidade, a sua verdade!

Sim, a semana passou...

Agora, já com todo o suporte necessário, família, amigos, médicos, psicoterapeuta, enfim todo o APOIO, tudo se torna mais fácil! Sim, estou melhor, confiante, livre de julgamentos, e com uma única certeza, a de VIVER E NÃO TER A VERGONHA DE SER FELIZ!

DOUGLAS GODOI, MÉDICO E MAIS FELIZ...



PS:
"Prevenção do suicídio:
0-800-273-8255
0800 290 0024"
Não funcionou tá... Não atendem celulares, há necessidade de se expandir a rede! SAMU? Não sei, não buscaria esse recurso tamanho a demanda que têm! Há de se criar e divulgar algo beeem direcionado!

Douglas Godói

Ao som de ' "Opus" from Opus - Eric Prydz'
Degustando Tâmaras Centenárias das Margens do Nilo

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Direções

Cento e oitenta graus de horizonte
Escurecido, iluminado, escurecido,
Timidamente iluminado.

No norte, a um palmo da superfície
Há uma nuvem rala, relâmpagos,
E uma tímida lua quase cheia
Beijando águas calmas.

A leste, um violão ressoa
Um pop dos últimos 10 anos,
E suponho que um brasileiro
Canta um inglês quase bem
Alternando com Norah Jones
Numa vitrola moderna.

No sul, mistérios guardados
Em cada quarto acesso,
E em cada traseunte
Que busca descanso
- do corpo, da alma, da vida.

A oeste, tudo que desejo:
Um coração petrificado (certamente!)
Que anseia por carinho (emoliente)
Um choro engasgado (descrente)
Que lacrimeja e respinga (quente)
Em cada lembrança (da gente).
Há também amor retido,
- talvez ferido (depois) -
Em cada ausência minha (de nós dois).
Há, sobretudo, um futuro latente,
Bonito, ansioso,
E presente.

Ismael Alexandrino

Ao som de 'Better Man' - Robbie Willians
Degustando Água com Gás

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Biblioteca

Tenho livros que nunca li
-- e é provável que nunca os leia.
Outros que folheio
-- e é possível que...

Alguns li,
Poucos reli,
E há os que sempre visito.

Mas tu, papai,
-- precioso livro --,
-- enciclopédia minha --,
Li
Folheio
Reli
E sempre visito.

No seu
No meu
Mais profundo silêncio.

Leio
Folheio
Releio
Visito.

Toco a página,
(face singela)
Aspiro-a.
Suspiro.

Uma peça:
Crônica
Dramática
Poética.

Ismael Alexandrino


Ao som de 'Those sweet words ' - Norah Jones
Degustando Chá Mate Gelado






sexta-feira, 11 de março de 2016

Chuvinha

Pingo
Pingo
Pingo

Es-corre, corre, corre...

E vai lavando
A alma
Da terra vermelha
De chorar

Es-corre, corre, corre...

Chuá!

Abre a cratera
- veios, veias -
Circulação pluvial...
Endovial!

Mina d'água
Rego d'água

Es-corre, corre, corre...

Levando para longe
A poeira no semblante
A solidão pensante
E o gosto de sal.

Ismael Alexandrino

Ao som de sapos e gias
Degustando Negresco

domingo, 3 de janeiro de 2016

DAI-me hoje

Lembro do Rubem
Da pipa
Da flor.

Da liberdade
Que apreende.

Faz bem
(Suspiros!)
Sem dor.

O que me encanta,
Menina,
-- apesar dos cabelos --,
Da pele,
Do dedinho torto,
Das belas mãos...

Não é a beleza.

São os olhos.

Ismael Alexandrino

Ao som de Sabiás
Degustando Ameixas Geladas

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

No princípio era O Verbo

Já fui indagado na Academia e na vida cotidiana e profissional do porquê que eu, como médico, acredito em Deus. Segundo o silogismo de quem me indagou, as premissas são que "ser médico é ser cientista, e para ser cientista, não se deve acreditar em Deus".

Ledo engano. Sinto muito em frustrar quem me perguntou. Quanto mais estudo a medicina, a vida, a saúde ou a falta dela, o ser humano, os demais seres viventes, e também os inanimados, quanto mais vivencio o improvável, os milagres, mais acredito em Deus.

Lembro-me de Louis Pasteur: "Um pouco de ciência nos afasta de Deus.  Muito, nos aproxima!"

Tenho o direito de acreditar que exista no mundo algo muito maior, adimensional, transcendente, inexplicável e impressionante, que gerou, deu forma, e rege todas as coisas; as passadas e as que hão de vir; as do Chronos, e as do Kayrós.

Mais que direito, tenho convicção.

E a este ente inexplicável, que muitos chamam de "Energia", eu opto por chamar de Deus. Deus, palavra que em si encerra todo significado. Poeticamente, O Grande Arquiteto do Universo.

É tão espetacularmente simples que chega a ser constrangedor. E não tem a ver só com fé, tem a ver com inteligência, raciocínio organizado, percepção, lucidez. Sou uma das pessoas com menos fé que conheço. "Homem de pequena fé", admito.

O interessante é que a falta de fé não exclui a existência de Deus. Com fé ou sem fé ELE existe, e não depende de confissões, assertivas, constituições, profissões de fé, encíclicas, pregações, crenças, pastorados, mentoriados, ou papados.

Que o amor infinito e sobrenatural de Deus possa nascer em cada coração. Que a paz surpreendente que vem Dele e que excede todo entendimento possa invadir cada célula do seu organismo e dos da sua família.

Desejo que este nascimento em cada ser humano seja constante e intenso.

Feliz nascimento! Feliz natal!

Ismael Alexandrino

Ao som de 'Aria' - Sebastian Bach
Degustando Miolo de Pão Francês