Café Alexandrino - O lado aromático da vida

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

O problema do Brasil é a sexualidade

Crônica

Esses assuntos de "Gay", "Homofobia", "Orgulho num sei o quê", "Minorias" estão cansando muito, além de não contribuir em absolutamente nada para um mundo melhor, ou, pelo menos, mais sensato, mais humano.

Gente morrendo em filas de hospitais por falta de atendimento, gente morrendo de fome por falta de comida, gente morrendo por bala perdida, gente morrendo por bala endereçada. Gente morrendo de rir por falta de escrúpulo!

E muitos ainda preocupados na Televisão das Oito, na Câmara, no Senado, com Dia do Orgulho Gay, Dia do Orgulho Hétero, Dia do Orgulho Num Sei o Quê. O assunto principal tratado nos horários nobres e nas mesas cult e parlamentates agora são as genitálias e adjacências. Pênis, vagina e ânus viraram o centro das atenções no país. O essencial é colocado de lado, esquecido, camuflado com "bolsas-miséria", "bolsas-preguiça", "bolsas-voto-garantido". E ficamos inertes, calados, coniventes, achando tudo isso normal; equiparamo-nos aos que atuam, aos que aplaudem.

Toda essa pantomima desvairada me causa asco, enoja-me. Não sinto necessidade alguma dessa ânsia de auto-afirmação de "sou isso", "sou aquilo". Lugar de psicoterapia individual ou em grupos são nos consultórios e salas/reuniões apropriadas para tal. Não no parlamento, não nas passeatas e carreatas, não na televisão. O problema do Brasil e do mundo não é a sexualidade.

Apegamos a idéias anti-naturais para sedimentarmos conceitos e tendências da natureza humana. Levantamos bandeiras, criamos ideais. Nos tornamos sectaristas. Há equívocos no caminho...

Falta Deus. Falta-nos pureza, sobra-nos desumanidade.

Ismael Alexandrino

Ao som do Ar Condicionado
Degustando Corpos Cetônicos

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Cartas entre Amigos









Goiânia-GO, 23 de Agosto de 2010.

Entrei no seu site! Lembrei da pessoa especial que você é!

Senti saudades!!!

Grande Abraço,
Seu pródigo Irmão


Brasília-DF, 24 de Agosto de 2010.

Oi. Bom dia.

Não raro, também lembro de ti: o amor mora na saudade.

Mas a vida é feita de escolhas, "cada um de nós compõe a sua própria história, cada ser em si carrega o dom de ser capaz, de ser feliz". E fizeste a tua bem consciente (apesar de contaminada por quem não habita, originalmente, em ti). Optaste pelo laconismo e pelo distanciamento; optaste pela facilidade do caminho largo.

Respeitei tuas decisões, apesar de nunca concordar com elas. E, se depender de mim, não sem dor, continuarei a respeitar as tuas (tão tuas!) escolhas, por mais que elas -- infelizmente! -- te levem cada vez mais para longe de mim, dos que te querem bem, Daquele que te criou. Só te desejo felicidade, só te desejo sucesso, só te desejo amor no coração. Só te desejo Deus!

E se um dia pedires para cuidar dos porcos, e se quiseres comer os dejetos que eles comem, neste dia pedirei que matem um novilho cevado e te façam uma festa; estarias morto e terá revivido, estarias perdido e terá sido achado.

Fique com Deus. Um beijo no teu coração. E que ELE te constranja a cada dia, te incomode, até que tu não suporte mais a loucura do mundo, e volte.

Se cuida!

Sempre o mesmo,
Ismael


Ao som de 'The Blower's Daughter' – Damien Rice
Degustando Água Salgada

Imagem: 'Caminhando/Walking' - Cristiano de Jesus

domingo, 17 de janeiro de 2010

Pequena felicidade

Poesia
Um templo.
Fina arte
Templo-arte
Sacrossanto.

Uma mulher.
Finíssima dama
Mulher-dama
Irretocável.

Um sorriso.
Brilhante olhar
Esmeraldas preciosas
Candura ávida
Saquetel de sonhos vívidos.

Resta a ternura
Daquele abraço
Latente,
Ansioso,
E breve.

Ismael Alexandrino


Ao som de 'When love takes over' - David Guetta
Degustando Trident Black NY
Imagem: 'La Caro se Alimenta di Ternura'- Memo Vasquez

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Uma questão de perspectiva

Crônica



"Do rio que tudo arrasta se diz que é violento / Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem." Esses versos foram tirados do livro “Sobre a Violência”, de Bertolt Brecht, poeta e dramaturgo alemão que viveu no século passado. Medito sobre eles como quase nunca medito sobre poesia. Porque poesias não são escritas para serem meditadas, mas sentidas.

Mais que sentir, medito sobre esse trecho de Brecht. Ele fala sobre perspectivas, ângulos de visão. A minha visão, a sua visão; nossas diversidades. Quando nos deparamos com um problema gerado por outra pessoa, temos duas possibilidades: ou a julgamos de súbito, ou nos colocamos no lugar dela. Não raro optamos pelo julgamento precoce, pela impressão, pelo que parece ser. É quase inevitável tomarmos partido. Somos intolerantes por natureza. E a natureza humana tende a ser má, prima pelo instinto.

A perpetuação da espécie necessita de certo egoísmo. No meio animal é comum matar o outro se preciso for para garantir o seu espaço, proteger seu território, o seu modus operandi. Esta é a expressão máxima do egoísmo. Mas dos humanos se espera civilização, condição a qual o individuo se torna um pouco maleável em prol do próximo, da comunidade, de um “bem maior”.

Tem tudo a ver com o que chamam de “amar ao próximo”. E isso só é possível na medida em que você se coloca no lugar do outro. Afinal, é difícil amar quem não se conhece. Mas você pode muito bem se colocar no lugar do outro e amar a si mesmo. Digo “pode” porque também sei que tem gente que não se ama. Aí o problema é mais grave, torna-se algo patológico, doença.

Aqui opto por falar com aqueles que já se amam. Aos que ainda não descobriram este prazer – amar a si mesmo –, sugiro (de coração) que procurem ajuda. Para ajudá-los, há os psiquiatras para os mais céticos, há os líderes espirituais para os fervorosos. E há a opção dos dois para os inteligentes.

Aos que já se amam, no entanto, estimulo-os a amarem também ao próximo, a serem tolerantes com as diferenças. Se disserem “mas eu amo o próximo! ”, gentilmente os convido: amem mais! Não precisam ser rio violento que tudo arrasta; muito menos margens agressivas que comprimem o leito, o fluir gostoso da vida.

Se forem “rios”, que sejam belos, cristalinos de alma, que lavem o mundo que o circunda daquilo que é mau. Se forem “margens”, que sejam bondosas, acolhedoras, cheias de carinho, canteiros de safras férteis.

Espero, sinceramente, que esta seja uma das suas e das minhas perspectivas, apesar das nossas diversidades.

Ismael Alexandrino

*Este texto também pode ser lido na Revista Zelo, exatamente nesta página aqui.


Ao som de ‘Imagine’ – John Lennon
Degustando Chocolate Ferrero Rocher
Imagem: 'Cânion do Buracão' - Caetano Lacerda

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Inquietude

Poesia
Negra dos fios lisos
Marrom da tez aveludada
Pretinha toda de alma.

Cheiro bom
Andar curtinho
Sorriso fácil.

Cândida! Doce.
Carioquinha de sangue
Funkeira atípica.

Ainda bem que Vinícius não a conhecera!
Certamente o Poetinha faria um gracejo,
Galanteador que era.

Velho Vinícius(Saravá!)...
Poeta bom, amigo de fé,
Mestre dos meus versos
Ensinou-me a admirá-la.

Obrigado, Poetinha, pelo espírito.
Obrigado, Baixinha, pela inspiração.

Que continue em meus versos, Pequena!
Faça-os – com o seu jeito peralta –
Levantar das estrofes
E andar num sábado à tarde e de mãos dadas
À beira daquele lago ao norte
Ou mesmo naquele Parque da Cidade ao sul.

Ismael Alexandrino


Ao som de 'Morena-Flor' - Vinícius de Moraes
Degustando Guaraná Antártica com Salame Italiano Picante
Imagem:'Garota de Ipanema' - Ingo Wilges

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Sobre o pensamento

Curtas


O pensamento é um vagão de trem bala sem maquinista.


Ismael Alexandrino




Ao som de 'Feel' - Robbie Williams
Degustando Morango com Leite Condensado

domingo, 18 de outubro de 2009

Poeminha confuso

Poesia

Ter sido é memória.
Vir a ser é angústia.
Ser é pretensa utopia.
Então estou?

Ismael Alexandrino


Ao som de 'Nessum Dorma' - Giacomo Puccini
Degustando vinho Brunello de Montalcino com Carpaccio