Ensaio

Amor é uma palavra que hoje precisamos usar com cuidado. Para os poetas, é uma palavra bonita, para os conquistadores (sexuais ou religiosos), é estratégica. De outro lado, é sincera tanto quanto é confusa, para muitos amantes que, adolescentes ou maduros, se perdem em suas promessas. Não há amor sem promessa de felicidade, já dizia o escritor francês Stendhal. Amantes são aqueles que vivem em nome do amor, que o praticam à procura de um ideal de felicidade que só o amor parece realizar. Quem acredita nisso pode bem ser chamado de romântico.
Para os descrentes, porém, os que desistiram de amar, amor não passa de uma palavra em desuso. Algo nela pode soar a pieguice ou sentimentalismo. Melhor deixá-la de lado, pensa o decepcionado. O amor, para muitos, está fora de ordem. E, por isso, fora de moda e mesmo algo banal.
Além daquele que olha o amor com a dor que lhe restou, há alguém que ainda crê no amor, ainda que seja seu crítico. Talvez o amor não tenha sido a parte feliz de sua sina e é melhor analisá-lo racionalmente como qualquer objeto. Nele pesa a voz de ilusão do amor como uma promessa ideal. Algo que faz duvidar dele. Ainda que ao duvidar se esteja buscando chegar, de algum modo, perto do amor. Só a dúvida poderia nos levar a ter esperança de chegar à certeza. Pois o que há de mais certo sobre o amor é justamente a incerteza. Mesmo assim, pensar nele é um prazer mais que romântico.
Talvez o amor sobre o qual tanto falamos esteja hoje longe de nós à medida que confundimos a riqueza da expressão amor com a paixão propriamente dita. Falta-nos atenção ao amor quando o confundimos com a simples paixão, que é o desejo autoritário e desenfreado por uma coisa ou pessoa. É como se o amor fosse algo que nos toma e que não podemos compreender, quando muito podemos ter sorte com ele, ou aceitar o sofrimento, a dor com cuja rima já não podemos deixar de vê-lo.
Márcia Tiburi
Para os descrentes, porém, os que desistiram de amar, amor não passa de uma palavra em desuso. Algo nela pode soar a pieguice ou sentimentalismo. Melhor deixá-la de lado, pensa o decepcionado. O amor, para muitos, está fora de ordem. E, por isso, fora de moda e mesmo algo banal.
Além daquele que olha o amor com a dor que lhe restou, há alguém que ainda crê no amor, ainda que seja seu crítico. Talvez o amor não tenha sido a parte feliz de sua sina e é melhor analisá-lo racionalmente como qualquer objeto. Nele pesa a voz de ilusão do amor como uma promessa ideal. Algo que faz duvidar dele. Ainda que ao duvidar se esteja buscando chegar, de algum modo, perto do amor. Só a dúvida poderia nos levar a ter esperança de chegar à certeza. Pois o que há de mais certo sobre o amor é justamente a incerteza. Mesmo assim, pensar nele é um prazer mais que romântico.
Talvez o amor sobre o qual tanto falamos esteja hoje longe de nós à medida que confundimos a riqueza da expressão amor com a paixão propriamente dita. Falta-nos atenção ao amor quando o confundimos com a simples paixão, que é o desejo autoritário e desenfreado por uma coisa ou pessoa. É como se o amor fosse algo que nos toma e que não podemos compreender, quando muito podemos ter sorte com ele, ou aceitar o sofrimento, a dor com cuja rima já não podemos deixar de vê-lo.
Márcia Tiburi
Ao som de 'Só pro meu prazer' - Leoni
Degustando Uvas Roxas Geladas
Imagem: 'Uma linda manhã' - Guilherme Fávaro
Degustando Uvas Roxas Geladas
Imagem: 'Uma linda manhã' - Guilherme Fávaro